AMAR DEMAIS

susana rodriguez iglesias - 24/08/2011

AMAR DEMAIS

"Amar demais deixa de ser saudável quando persistimos num relacionamento inacessível, insensato – e mesmo assim somos incapazes de rompê-lo"

O livro da terapeuta Robin Norwood, mulheres que amam demais, trata o tema das mulheres  que ficam presas de um relacionamento que faz mal, que diminui a autoestima, machuca, e mesmo sendo conscientes disso existe a impossibilidade de romper o vinculo, se afastar e recomeçar a vida.

Esta terapeuta trata este tema referindo-se as mulheres, por serem justamente nos mulheres, as que apresentamos mais comumente esses patrões de conduta em quanto a relações amorosas e relacionamentos, os homens apresentam geralmente problemas diferentes, ainda assim, na experiência clínica vejo muitas vezes homens que tentam de qualquer forma continuar com um relacionamento que sentem não esta dando felicidade e ainda mais prejudica seu trabalho, saúde e paralisa os seus projetos.

A autora do livro, mulheres que amam demais, reflete:

Não tenho a intenção de afirmar que as mulheres são as únicas a amar demais. Alguns homens também se comportam assim, e seus atos e sentimentos provêm dos mesmos tipos de experiências e de dinâmicas da infância. Entretanto, a maioria dos homens que foram afetados na infância não desenvolvem um vício ligado a relacionamentos. Devido a uma interação de fatores culturais e biológicos, eles normalmente tentam se proteger, e evitam a dor exercendo atividades mais externas que internas, mais impessoais que pessoais. A tendência é eles se tornarem obcecados pelo trabalho, por esportes ou hobbies, enquanto nas mulheres, devido a forças culturais e biológicas peculiares, a tendência é se tornarem obcecadas por um relacionamento — talvez apenas com o tipo de homem difícil e distante.

Em quanto às mulheres, a autora refere-se:

Nós que amamos obsessivamente somos cheias de medo — medo de estarmos sozinhas, medo de não termos valor nem merecermos amor, medo de sermos ignoradas, abandonadas ou destruídas. Damos nosso amor na esperança de que o homem por quem estamos obcecadas cuide de nossos medos. Ao invés disso, os medos — e nossas obsessões — aprofundam-se, até que dar amor para obtê-lo de volta torna-se uma força propulsora em nossas vidas.

As pessoas que “amam demais”, vão esquecendo sua própria vida e vão acomodando a vida de forma que seja para maior felicidade do outro, abrem mão dos seus sonhos, trabalhos, amigos, cidade, família, prazeres, só para "fazer feliz o outro".

Com o passar do tempo o desconforto se torna cada vez mais insuportável, e quando a ficha cair, a pessoa sabe que tem que se separar, que esse vinculo esta fazendo mal e sem embargo não acha a forma de viver sem ele/a.


Quais os comportamentos que a mulher é capaz de ter, para pagar o preço de não ficar sozinha?

• comprar-lhe roupas para melhorar sua auto-imagem;

• achar-lhe um terapeuta e implorar que se consulte;

• financiar bobbies dispendiosos para ajudá-lo a ocupar-se melhor;

 

• mudar-se para locais geograficamente acidentados porque "ele não está feliz aqui";

• dar-lhe metade de todos os seus pertences e propriedades para que não se sinta inferiorizado;

• dar-lhe casa para morar para que se sinta seguro;

• permitir que abuse de você emocionalmente, pois "nunca permitiram que expressasse seus sentimentos antes";

• arrumar-lhe um emprego.

 

E ainda em muitos casos suportar humilhações e até violência física.

 

 

 

O medo de ficar sozinha/o refere-se a medos e dificuldades em idades muito remotas, quando crianças essas pessoas por algum motivo sentiram-se rejeitadas, abandonadas, desvalorizadas.

 Com esse patrão de conduta o amor fica vinculado à idéia de sofrimento, pagar um preço alto por ser amados.

 

Para modificar essa procura de amor-sofrimento, e lograr a independência emocional para logo depois formar um relacionamento saudável e feliz, é preciso reaprender, se questionar, modificar a auto-estima.


O primeiro passo e se abrir, poder falar disso, reconhecer a dificuldade para depois começar a trabalhar construindo um novo olhar sobre nos e caminhar por um caminho de autoconfiança onde encontrar o parceiro para compartilhar uma vida com respeito, amor e compreensão.

Susana Rodríguez Iglesias

Psicóloga