a procura da aceitação

Psic. Susana Rodriguez Iglesias - 23/09/2011

    

 

Desde muito pequenos procuramos que os nossos pais, nos aceitem, batam palmas por nós, façam sentir que somos importantes, nos digam quanto importantes somos para eles.

Lembrem os primeiros passos de um nenê, as primeiras palavras, as primeiras vezes que fazem xixis no pinico, aplausos, risos, parabéns.

Esses são os primeiros reforços positivos que obtemos em nossas vidas. Toda criança espera suprir as expectativas dos pais e ainda mais surpreender eles, deixar os pais totalmente orgulhosos.

O desenvolvimento do ser humano e a dependência com os pais são realmente prolongados se comparamos com qualquer outra espécie. Nesse desenvolvimento as expectativas dos pais vão se transformando e muitas vezes acabam por não coincidir com o caminho que os filhos começam a tomar.

Os pais, convencidos de que o melhor caminho e aquele que eles tem traçado para seus filhos, muitas vezes obcecadamente, brigam, tentam convencer pelo bem o pelo mal, não conseguem aceitar que os filhos tomem um caminho diferente, ou não respondam aos seus sonhos. Por outra parte os filhos sentem-se frustrados de não conseguir dar “felicidade aos seus pais”, sentem-se culpados por não conseguir alcançar o modelo de filho ideal, deprimem-se por não  se sentir amados, nem  aceitados.

É difícil para os pais aceitar que os filhos são seres únicos, autônomos, que vão crescendo e tomando atitudes, formas de vida, idéias políticas ou religiosas, trabalhos, estudos e companheiros de vida, namorados, maridos e mulheres, que seguramente não estão dentro do que exatamente foi sonhado pelos pais.

Nessas “lutas” entre dependência versus independência, autoridade versus liberdade, respeito versus obediência, o amor e o ódio misturam-se, muitas vezes um ganhando a batalha, às vezes o outro.

Se os filhos crescem e logram a aceitação dos pais, o seu apoio, o seu reconhecimento, tudo bem então teremos duas famílias felizes. Se os pais continuarem insistindo no “modelo de filho” pode acontecer o que muitas vezes vejo no consultório, adultos que sofrem e tentam levar sua vida adiante com o peso enorme e doloroso de não ser aceitos.

Esses filhos não aceitos, criticados, punidos, por causa dessas carências podem ter serias dificuldades nas escolhas amorosas, como também dificuldades nos relacionamentos sociais, laborais, etc.

Em muitos casos o caminho a seguir por eles é simplesmente deixar de tentar ser aceitos para se aceitar.

Em quanto aos pais, ninguém como pai, quer ver seus filhos afastados, muito menos chegar a velhice sem ter contato ou não conseguindo ter um diálogo com os filhos.

Qual o segredo, o segredo de bons relacionamentos e o diálogo, o amor, a flexibilidade. Ser firme e flexível, amoroso, companheiro, no caso dos pais, darem direção aos filhos e pouco a pouco só segurar a mão deles para que em segurança comecem a tomar suas próprias decisões, seus próprios caminhos.

Sempre escutar, se colocar no lugar do outro, tentar ampliar os pensamentos, se adaptar aos novos tempos, com espírito critico, mas com simplicidade, flexibilidade e sobre tudo disposição para entender e amar.