Os medos

susana rodriguez iglesias - 01/08/2011

O MEDO É UM SINAL DE ALARME, indica quando alguma coisa perigosa pode acontecer, neste sentido o medo ajuda a nos cuidar, nos adiantar aos acontecimentos e tomar previsões.

 Mais nestes tempos o medo passou ser uma coisa do dia a dia, todo mundo tem medo, medo de perder, mudar ou não ter emprego, perder a posição social, não chegar a pagar as contas, dos ladrões, da violência, da discriminação, de engordar, de não estar bonita/o, de se expor as pessoas, do encontro, do desencontro, da solidão, da multidão, da sexualidade, da morte, dos acidentes, do fracasso, ficar fora do sistema, de arriscar, em fim medo de viver. Medo que imobiliza que não permite ser que somos, livres, capazes de tomar as próprias decisões.

 Quando o medo paralisa, temos medo até do medo, ficamos assustados, o perigo está presente em todos os lados. Vemos que hoje existem cursos para perder o medo de falar em público, enfrentar uma entrevista de trabalho, perder o medo a conduzir e inúmeros outros assuntos em quanto a como enfrentar o medo.

Como diz o escritor Eduardo Galeano “o medo é global”:

 Os que trabalham têm medo de perder o trabalho.

 Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho.

 Quem não tem medo da fome, tem medo de comida.

 Os motoristas têm medo de caminhar e os pedestres têm medo de serem atropelados.

A democracia tem medo de lembrar e a linguagem tem medo de dizer.

 Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas, as armas têm medo da falta de guerras.

 É o tempo do medo.

Medo da mulher da violência do homem e medo do homem da mulher sem medo.

 Medo dos ladrões, medo da polícia.

 Medo da porta sem fechaduras, do tempo sem relógios, da criança sem televisão, medo da noite sem comprimidos para dormir e medo do dia sem comprimidos para despertar.

Medo da multidão, medo da solidão, medo do que foi e do que pode ser medo de morrer, medo de viver. (Eduardo Galeano, publicado em: De Pernas Pro Ar - A Escola do Mundo ao Avesso)

 Então presos do medo, poderíamos nos perguntar o quê fazer, será que não tem saída?

 Em primeiro lugar é importante ser consciente desse medo, ser consciente que é um sentimento instalado nas nossas vidas e que precisa ser revisto e questionado. O medo a autenticidade, ao amor, a entrega, a solidariedade, o medo que está fora, e o medo que está dentro de nós, o medo real e o medo imaginário.

 Existe uma forma só de vencer o medo, com conhecimento y com ação. Posso ter muito medo a qualquer coisa que seja desconhecido, ao conhecer e entender o medo diminui o desaparece, por ex. posso ter pânico de conduzir, mas começando a conduzir conhecendo como dominar o carro, quais as precauções, como agir em caso de possível acidente, os medos diminuem e podem cumprir sua função de prevenção. Conhecimento que inclui conhecimento interno, do nosso passado e também do nosso presente, uma forma de aprender a escutar e escutar-nos.

 A informação e o conhecimento junto com a ação permitem nos enfrentar ao medo, e assim ser participes da nossa própria história.